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Saturday, 22 September 2012

Amor Chinnam



Desde que eu era criança, sempre ouvi as respostas prontas que a igreja tem para responder perguntas difíceis. “Jesus morreu porque?”, “Porque Ele te ama.” “Porque tenho que ir pra igreja?”, “Porque Jesus gosta.”, etc. E as formulas prontas são infindáveis. Uma delas sempre me confundiu. Está relacionada a Filipenses 4:8, que diz Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” A formula que foi a mim ensinada é que se eu seguir essas regras, se fizer tudo que é bom e puro e verdadeiro e honesto, etc, as coisas darão certo para mim, porque Deus vai me abençoar. Se eu NÃO fizer isso, as coisas não darão certo. Não digo que o verso está errado, longe disso, mas a aplicação que muitos fazem está completamente equivocada.
O problema com essa formula pronta é que a bíblia simplesmente não lhe dá sustentação! E o exemplo por excelência é Jó. Olha o que as escrituras dizem sobre esse camarada. “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.” Jó 1:1 Ele era exemplar! Ele era integro e reto! Quem hoje pode se dizer ser integro e reto? Sério, você consegue dizer que é 110% integro e reto? Que se desvia do mal, e que teme a Deus? Olha, eu não me considero lá esses caras ruins, tento fazer o bem, por consequência tento não fazer o mal. Procuro prezar a minha integridade moral, e retidão de caráter...prometo! Tento mesmo! Mas NÃO DÁ! Não consigo ser bom assim toda hora! A bíblia está dizendo que Jó, ao contrário de Luccas Rodor, era INTEGRO E RETO, TEMIA A DEUS E SE DESVIAVA DO MAL. Ele era tão bom, que pedia perdão por POSSÍVEIS pecados. Gente, Jó era tão bom, que Deus o exibiu diante do UNIVERSO! Tem noção do que é isso? Mas tudo bem, o propósito desta meditação é analisar o lado humano, o que Jó sabia, não o que aconteceu no céu completamente desconhecido pelo coitado.
O relato diz que além de ser uma pessoa integra e reta, Jó era rico. Mas rico rico mesmo. Podre de rico. Na verdade, o mais rico do Oriente. “O seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente.” Jó 1:3 Naquela época, quando alguém era bem sucedido, isso queria dizer que ele era abençoado por Deus. Significava que ele era um amigo de Deus, alguém que valia apena ser ouvido. Jó, além de integro e reto, além de se desviar do mal, além de ser ricaço, era amigo pessoal de Deus, logo ele tinha moral, era respeitado.
Pois bem, entendeu que tipo de cara ele era? Agora, continue lendo o relato. “E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam, e bebiam vinho, na casa de seu irmão primogênito, que veio um mensageiro a Jó, e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pastavam junto a eles; e deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova. Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu, e só eu escapei para trazer-te a nova. Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Ordenando os caldeus três tropas, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova. Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova.” Jó 1:13-19
De uma hora para a outra, esse homem que era integro, reto, se desviava do mal, temia Deus, era respeitado por ser amigo de Deus, tinha moral na terra, era podre de rico, perdeu simplesmente TUDO. Quando digo tudo, quer dizer TUDO. Perdeu a riqueza. Perdeu a respeitabilidade, e por consequência os amigos. Perdeu os filhos (10 filhos!). Perdeu o amor da esposa, talvez o único conforto que poderia ter restado (2:9). Perdeu a saúde (2:7-9). De uma hora para a outra, Jó foi de amigo, para odiado de Deus. Você consegue imaginar perder sequer UM filho? Ou UM irmão, pai, mãe, sobrinho, etc. A perda de um ente querido é um trauma horrível. Agora imagina 10! De uma só vez! E ainda com um “freak accident”, um acidente irregular, que só pode ser interpretado de uma forma sobrenatural. Você pensa mesmo que a perda na qual Jó se deparou pode ser explicada como uma coincidência?
Imagina o que passou pela sua mente nesses momentos? Porém, o incrível é a atitude de Jó. “Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou. E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR. Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” Jó 1:20-22 Ele fez O QUE? ADOROU? BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR? COMO ASSIM?!
As lições que dá pra tirar desse trecho são inúmeras. Sobre o poder da adoração, sobre a necessidade do desprendimento das coisas materiais, da possibilidade de lutar com Deus e não pecar nem atribuir a Deus falta alguma, e talvez algum dia eu escreva uma meditação sobre isso, mas hoje quero focar em um ponto específico. No VS 9, Satanás faz a seguinte pergunta para Deus: “Então respondeu Satanás ao SENHOR, e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde?” Jó 1:9 Essa palavra debalde, no hebraico original do texto é chinnam, e significa de graça; desprovido de custo, razão ou vantagem; sem uma causa, por nada. Ou seja: “Será que Jó te ama de graça, por nada, desprovido de custo, razão ou vantagem? Amigos, isso me faz pensar. Será que eu amo ao Senhor de graça, por nada, desprovido de custo, razão ou vantagem? Eu sempre ouvi que Deus me ama chinnam, de graça, sem custo, por nada, incondicionalmente. Mas e eu? Eu O amo independente dos problemas, dos traumas, das frustrações, dos obstáculos, das doenças, das crises? Eu amo Deus incondicionalmente? Um erro da mentalidade evangélica hoje é que é necessário amar e servir a Deus com interesse. Quero ter sucesso, riquezas, reconhecimento, saúde, aplausos, a lista é grande. E quando Deus não responde ao serviço interesseiro, a resposta é “Ta bom então, não preciso dEle mesmo. Esse negocio de Deus não é real, é apenas conversa de crente. Se fosse real, porque Ele me deixa aqui na miséria?” Me desculpa, mas teologia da prosperidade NÃO É UM CONCEITO BÍBLICO! Não conseguimos entender porque Deus age da forma que age! Mas Ele não faz nada sem um propósito. No caso de Jó era o de ser uma testemunha universal de que o ser humano também pode amar a Deus com amor chinnam, ao ponto de exclamar Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus, vê-lo-ei, por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros o contemplarão; Como o meu coração anseia dentro de mim!” Jó 19:25-27 Querido amigo e amiga, não quer você amar a Deus de forma chinnam?



Sunday, 9 September 2012

Espinhos




Bem-vindos ao século XXI o século do futuro, o ano dois mil e não sei quanto, a era dos robôs gente, e das gentes robô. A era da imagem, da aparência, da consequência de todos os outros séculos passados. A época das grandes máquinas voadoras, cheias de gente, e das grandes massas cheias de máquinas. Bem-vindo ao século da pornografia em rede nacional, o baluarte da nova geração, o amanhecer da liberdade mas o crepúsculo da livre escolha. Muito bem-vindos a época do conhecimento, da tecnologia, a do tombamento da sabedoria. A era da felicidade mas não a da amizade. Da publicidade mas não da honestidade. Seja mais que bem-vindo ao século da riqueza, da luxuria, e também da pobreza. A era da contradição. A época de revolucionários em camisetas e políticos com gorjetas. Era dos 1000 senhores, 1000 amores, e  dos 1000 prazeres sem pudores. Bem vindo a sociedade dos espinhos.

Em Marcos 4:1-20 Jesus conta a uma multidão de ouvintes a seguinte estória:


"Ouçam! O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram. Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas, de forma que ela não deu fruto. Outra ainda caiu em boa terra, germinou, cresceu e deu boa colheita, a trinta, sessenta e até cem por um". A seguir Jesus acrescentou: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça! "

Quando ele ficou sozinho, os Doze e os outros que estavam ao seu redor lhe fizeram perguntas acerca das parábolas.

Então Jesus lhes perguntou: "Vocês não entendem esta parábola? Como, então, compreenderão todas as outras parábolas? O semeador semeia a palavra. Algumas pessoas são como a semente à beira do caminho, onde a palavra é semeada. Logo que a ouvem, Satanás vem e retira a palavra nelas semeada. Outras, como a semente lançada em terreno pedregoso, ouvem a palavra e logo a recebem com alegria. Todavia, visto que não têm raiz em si mesmas, permanecem por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandonam. Outras ainda, como a semente lançada entre espinhos, ouvem a palavra; mas quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas, sufocam a palavra, tornando-a infrutífera. Outras pessoas são como a semente lançada em boa terra: ouvem a palavra, aceitam-na e dão uma colheita de trinta, sessenta e até cem por um".

Vivemos em uma sociedade construída da espinhos. E nós como jovens cristãos lutamos contra eles diariamente.  Alguns são tão grandes que mal conseguirmos definir ou descrever, lutar contra eles parece imoral. Outros são tão pequenos que nem os percebemos. Mas eles estão ali. Do seu lado, a sua frente, e principalmente dentro. E eles te afetam.

Casa, carro, família, carreira.  Tudo parece estar a nosso favor. Desde que nascemos fomos ensinados que esse é o caminho que devemos seguir. Planejamos nossas vidas e gastamos a maioria de nosso tempo em busca do que priorizamos como ideal. Mas mesmo antes de atingirmos tudo isso, nossa mente parece completamente distraída com outros desejos que lentamente nos sufocam se não os alcançarmos. Aquela roupa que você quer, o grupo de amigos que você desejaria pertencer, o intelecto que procura, a tecnologia mais atual disponível no mercado, aquele corpo da capa de uma revista, e aquela balada super maneira frequentada pela menina que você está afim. A lista não tem fim. Ahh, e claro que no meio de tudo isso ainda tem que sobrar tempo para ir a igreja e ser fiel a Deus. Parece impossível. E é!

Junto com todos nossos desejos, crescem o orgulho, a inveja, a falsidade, a raiva, o egoísmo, a frieza, a luxuria, a avareza, gula e preguiça. E parece que a sociedade nos empurra cada vez mais para baixo e não para cima como prega fazer. “Quer se livrar da ganância?  Compre carros, casas, pegue dinheiro emprestado”; “Quer se livrar da inveja? Tente seguir todas as tendências, olhe para vida dos outros não para a sua”; “Quer se livrar da preguiça? Assista TV o dia inteiro, jogue online e não arrume seu quarto” ; “Quer emagrecer? Coma Mcdonalds, Burger King,  carne todo dia” ; “Quer ser fiel e feliz no casamento? Pegue geral, faça sexo quando quiser e quando puder, trate seu parceiro como um objeto de seu próprio prazer” ; “Quer encontrar Deus? Ignore-o completamente, gaste seu tempo com tudo menos com ele”. As incoerências não acabam mais.

Mas Jesus deixa bem claro o que vai acontecer com aqueles priorizam o mundo e as recompensas terrestres. “Outras ainda, como a semente lançada entre espinhos, ouvem a palavra; mas quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas, sufocam a palavra, tornando-a infrutífera”.  Ou seja, por mais que tenhamos recebido a verdade, por mais que estejamos em uma igreja, por mais que tenhamos amigos cristãos, se colocarmos seus objetivos, preocupações e anseios em objetivos terrestres sua vida espiritual será infrutífera.

É a mesmo coisa que estudar filosofia, grego, literatura, artes, história, geografia e sociologia esperando descobrir uma nova formula matemática. É incoerente. Não faz sentido, e é sobre isso que Jesus está falando. Como depois de tudo que sabemos sobre Ele, sobre Seu plano e salvação, e como ele pode transformar vidas, como ainda assim buscamos outras coisas? Como nosso coração pode querer viver cheio de espinhos em vez de viver o caminho da verdade?

A parábola do semeador, por mais que fale dos diferente terrenos que encontraremos ao pregarmos o evangelho a outras pessoas, nos remete também a pergunta... que terreno queremos ser ao recebermos as novas da salvação? O que faremos com o conhecimento que recebemos? Esqueceremos em poucos anos? Brotaremos por momentos mas não procuraremos evoluir no conhecimento desta mensagem? nos encheremos de preocupações mundanas e viveremos nossa vida como se o evangelho que Jesus Cristo nos deixou fosse apenas um mero detalhe sem importância? Ou viveremos essa mensagem com todas nossas forças até torna-la real em nossas vidas e na vida de outros a nossa volta?

Mais do que nunca o momento é agora. Jesus está voltando em breve. É hora de se consagrar e entregar o coração a Ele. O grande reavivamento está começando, as leis dominicais aos poucos estão mostrando as caras nas Américas e na Europa. É hora de honrar ao Senhor e dar-lhe glória. Ame-o de todo coração, de toda a alma e de todo entendimento. Nunca desista Dele, porque Ele nunca desistiu de você.

Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. 
Efésios 4:22-24




Sunday, 2 September 2012

Anexo III - Autênticos

"Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos - pois foi Ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser (...) É quando me viro para Cristo e me rendo à Sua personalidade que pela primeira vez começo a ter minha própria e real personalidade."  C.S.Lewis