"Quando o Senhor viu que Lia era desprezada, abriu a sua madre, mas Raquel era estéril. Concebeu Lia e deu à luz um filho, a quem
chamou Rúbem, pois disse: O Senhor atendeu à minha afliçãoç certamente agora me
amará meu amrido. Concebeu outra vez, e deu à luz um filho, e disse: Porque o
Senhor ouviu que eu era desprezada, deu-me também este. E lhe pôs o nome de
Simeão. Concebeu ainda outra vez, e deu à luz um filhe, e disse: Agora esta vez
se unirá meu marido comigo, porque três filhos lhe tenho dado. Por isso lhe
chamou Levi. De novo concebeu, e deu à luz um filho, e disse: Esta vez louvarei
ao Senhor. Por isso lhe chamou Judá. E cessou de dar à luz." Genesis
29: 31-35
Nos tempos Bíblicos, a situação existencial das mulheres era
absurdamente complicada. Elas simplesmente não eram valorizadas. Tudo que elas
tinham que fazer na vida era dar a luz a filhos e cuidar do lar. Não havia
nenhuma chance de prestigio, poder (a não ser que se era rainha, e olha lá), ou
aventura. Qualquer glória ou estima era alcançada através do parto.
A bíblia fala muito pouco sobre a primeira esposa de Jacó,
filha mais velha de Labão. A descrição que temos dela é: “Lia tinha olhos
fracos, ao passo que Raquel era formosa de porte e semblante.” Genesis 29: 17. Vamos pensar um
pouco. A idade costumeira (para uma
mulher) se casar naquela época era ao redor dos 14 anos. A bíblia diz que Jacó
amava a Raquel (Gen. 29: 18),
e aceitou trabalhar sete anos, para que ao final desse tempo, pudesse se casar
com ela. Isso mostra que Raquel aqui tinha por volta dos 20 ou 21 anos ao final
dos sete anos de trabalho (idade ja avançada para se casar). Como Raquel
era a filha mais moça, vamos chutar que Lia tinha uns 24 pra 25 anos. Posso
estar errado, mas digamos que é por ai. Isso mostra que ninguém quis se casar com ela. Ela já era considerada como velha
demais, antiquada. Provavelmente, era vítima de escárnio e fofocas. Se coloque
no lugar dessa moça. Desprezada, enquanto a irmãzinha recebia toda a atenção.
Lia era a definição da palavra “marginalizada”, ou seja, deixada de lado, a
margem da vida, enquanto as outras avançavam. Para piorar a situação, ela é
forçada a se casar com Jacó, sabendo que não era nem querida ou amada. É até
possível que ela já o amasse, e tinha que esconder os sentimentos porque sabia
que ele apenas tinha olhos pela Raquel. Imagine a vergonha causada pela decisão
do pai, que matou duas pombas com uma pedra. Ele se livrara da filha que ninguém
queria, resgatando a sua reputação da notoriedade de ter uma filha desprezada,
e conseguiu também fazer com que Jacó, que era um exímio trabalhador,
continuasse em seu serviço por mais sete anos!
Imagine o constrangimento ao acordar na manha seguinte à
noite nupcial, e ter que explicar ao confuso e provavelmente irado Jacó a razão
de estar ela na cama com ele, em vez de sua irmã. E o que fazer ao presenciar a
briga que sucede quando Jacó reclama do ocorrido à Labão. E ouvir que o seu
marido trabalharia mais sete anos para ter a sua irmã como esposa também. Pense na dor que isso causou. A realização de que
ela seria para sempre a segunda, a menos amada, ignorada, desprezada, vitima de
chacotas, subestimada e ridicularizada deve ter pesado horrivelmente em sua
mente.
Mas então ela se lembrou que havia uma forma de se livrar de
tudo isso. De receber glória, reconhecimento e honra! Ela conceberia vários
filhos. A primogenitura seria dela. Afinal, a sua irmã era estéril!
Percebemos que foi justamente isso que ela pensou, pois
lemos no verso 32 que “Lia concebeu, e deu à luz a um filho.....e disse:
O Senhor atendeu à minha aflição; certamente agora me amará o meu marido.” HÁ!
Pega essa! Agora tudo estava resolvido. Jacó perceberia que quem lhe traria
herdeiros era ela. Agora a vida seria mais fácil! Finalmente seria reconhecida!
Receberia honra e presentes. Não seria
mais marginalizada! Deus ouviu a sua aflita oração!
Contudo, não foi nada disso que aconteceu, pois o próximo
verso mostra que Lia continuou sendo desprezada. “Concebeu outra vez, e deu à
luz um filho, e disso: Porque o Senhor ouviu que eu era desprezada...” Coitada da Lia. Você pensa que dar a luz é algo
simples? Se com toda a
tecnologia moderna que temos hoje, ainda é uma experiência dolorosa, imagina
naquela época! E não serviu de nada! Ela não recebeu glória, honra,
reconhecimento. Não recebeu mais amor. Seu filho, o primogênito, foi entregue a incumbência de cuidar das ovelhas.
Mas, como a esperança é a última que morre, aqui observamos
novamente que Lia esperava ser reconhecida. Afinal, dois filhos, dois
herdeiros, duas linhagens para prolongar a descendência da família. Agora sim
ela seria especial. Agora Jacó demonstraria amor!
Raiva. Nada, de novo. Continuou sendo a underdog. A desprezada. Continuou sendo miserável. Porém, continuou
sendo esperançosa, pois teve mais outro filho! Continuou sonhando! “Concebeu ainda outra vez, e deu à luz um filho, e disse: Agora esta vez se unirá meu marido comigo,
porque três filhos lhe tenho dado...” Poxa, três filhos. E
nada. Continuou sendo ignorada, recebendo indiferença alheia. Neste ponto,
parece que a Lia se desilude. A única coisa que poderia funcionar, não vingou.
Três vieram, mas a vida continuou da mesma forma.
O próximo verso mostra a mudança que sobreveio à Lia. “De novo concebeu, e deu à luz um filho, e
disse: Esta vez louvarei ao Senhor. Por
isso lhe chamou Judá. E cessou de dar à luz."
Agora, depois de três tentativas mal sucedidas, ela aprende
a lição. “Esta vez louvarei ao Senhor.”
Tem você sido desprezado? Tem você sido
a definição de marginalizado? Ignorado, rejeitado? As pessoas olham para ti com resguardas? Fofocas e
gargalhadas maliciosas te assaltam, traumatizam, e acabam com a sua auto-estima? Quero lhe dizer que o louvor é a solução
para isso. Louvor em situações difíceis é
poder. Louvor em situações de crise é super poder. Mas louvor, em situações
desesperadoras, onde você não enxerga saída, é mega poder. O louvor confunde Satanás. Ele não consegue
entender como a pobre alma moribunda e sofredora consegue louvar nas situações
de terror da vida. Lembre-se, Deus pode
fazer com que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que amam o Seu nome.
Ah, mais uma coisa. O quarto filho, o filho do Louvor. O
filho que fez com que a Lia caísse em si, e lembrasse-se de louvar o Senhor,
foi Judá, o antecessor do grande Leão da tribo de Judá, o Messias, Deus conosco,
Senhor e Salvador. Em sua arvore genealógica, o poder absoluto se lembrou de Lia. Ele se lembrara de você também. Deus
lhe abençoe!
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Este blog busca estimular o pensamento reflexivo jovem e a construção de um indivíduo com princípios firmes e imutáveis baseados na palavra de Deus. Autenticidade, é a palavra que molda os dias de hoje, diversidade em busca de uma individualidade inexistente. O jovem se perde em busca desta individualidade muitas vezes abrindo mão da costrução de seu caráter. A partir do ponto de vista do autor procuraremos entender qual é o melhor caminho a seguir e o porquê.
Monday, 13 August 2012
Mega Poder!
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